Archive for the ‘coluna Marcao’ Category

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Colunas do BC – Fanático da Arquibancada

25 abril, 2008

Futebol “Brasileño”

Marcão TFC

“Aguardemos o início do Brasileiro quando recomeçam as contratações porque aí vem a baciada de sul americanos. E nela eu rezo para que o Cruzeiro quem sabe descubra um futuro Sorin, ou um Valdívia ou um novo Maldonado.”

Estou chegando aos 30 anos de idade e desde criança quando comecei a acompanhar o futebol e me tornar um fanático torcedor do Cruzeiro que me acostumei a ver ano após ano as contratações de peso para cada nova temporada.

Período de férias, dezembro e janeiro sempre a expectativa em busca dos novos nomes para o ano que se inicia.

Me recordo das tradicionais férias na praia e dentre as preocupações se ia ou não chover, preocupáva-mos em quem seriam os novos guerreiros celestes. Corríamos atrás dos jornais de MG, ligáva-mos para os parentes que estavam em BH em busca de informações.

Foi assim que escutei nomes de peso como Charles e Mário Tilico, Renato Gaúcho , Sorin, Alex e até mesmo Rivaldo . Lembro que eu estava em Ibitipoca no reveillon e meu pai me ligou empolgado. Quando atendi lembro dele gritar “Rivaaaaaaaaaaldo!!!” Como era bom ouvir um anúncio de um craque renomado confirmado com a camisa azul celeste.

Nos últimos anos essa expectativa de escutar nomes de peso a cada início de temporada foi sendo frustrada progressivamente e hoje vemos que praticamente nenhum time anuncia grandes nomes no Brasil. Quando isso raramente acontece , são jogadores que já rodaram pela Europa, estão com idade avançada, conquistaram sua independência financeira ou estão voltando de contusões e aí sim acertam com algum time brasileiro.

Mais difícil ainda isso acontecer em Minas Gerais pela diferença dentre as cotas de patrocínio e cotas da televisão recebidas em comparação com times do eixo Rio-São Paulo. O próprio São Paulo fatura mais que o dobro do Cruzeiro com estas mesmas cotas. Não tem como competir! Mas isso já é uma outra discussão que abordarei em outra coluna.

O nível técnico dos últimos campeonatos brasileiros vem sendo sofrível, e quando nos dois últimos anos os melhores jogadores do campeonato brasileiro são um argentino (Tevez) e um goleiro (Rogério Ceni) é sinal que algo está errado!

Cadê a malícia, os dribles, o futebol moleque que fez do Brasil o país do futebol?

O futebol brasileiro mudou e mudou para pior. Jogadores hoje estão saindo com treze, quatorze anos quando muito alguns saem aos 18 sem ao menos jogarem pelas equipes profissionais. A ganância de empresários que agenciam estes garotos prometendo um futuro dourado levam estes jovens cada vez mais cedo para fora do Brasil e muitas vezes para mercados de segundo escalão como Rússia, Arábia ou Ásia.

E no Brasil como ficará o futebol?

O ano de 2008 marcará a nova fase do futebol nacional com a invasão dos “hermanos” vindos de todos os países vizinhos da América do Sul. E tirando Valdívia que realmente é um grande jogador, todos estes jogadores que tem aparecido são jogadores medianos.

No próprio Cruzeiro temos o boliviano Marcelo Moreno, um jogador que é no máximo mediano, tem raça, vontade, mas não é atacante nato, não é finalizador e erra muito. E o futebol anda tão carente que já falam em sua venda para o Dínamo por absurdos 7 milhoes de euros!! Mas pra quem já vendeu Fábio Junior por 15 milhões de dólares…:)

Moreno Matador Azul

O zagueiro equatoriano Espinoza até tem mostrado bom futebol mas ainda não podemos dar o aval de um xerifão como Cris ou Edu Dracena. Mas do plantel atual é o jogador que mais deposito esperanças de se tornar um grande jogador com identificação com a torcida.

E quem não se lembra do super “craque” botafoguense Escalada chegando gordo, descabelado e mal vestido no Rio de Janeiro? Acabou de ser dispensado depois de 3 meses de nenhum futebol.

O mercado brasileiro foi canibalizado pelos europeus e agora chegou a nossa vez de canibalizar o mercado sul americano. Porém a Europa faz compras no “shopping center” do melhor futebol do mundo, e para nós restou o “sacolão da esquina” de Colômbia, Paraguai, Equador, e por aí vai.

O Cruzeiro está de olho e o coordenador técnico Ricardo Drubskcy esteve viajando avaliando jogadores que o grupo Sonda pretende investir colocando-os no Cruzeiro. De cara já bombou a contratação do atacante Carlos Preciado mas aprovou a do meia – atacante Javier Reina.

Aguardemos o início do Brasileiro quando recomeçam as contratações porque aí vem a baciada de sul americanos. E nela eu rezo para que o Cruzeiro quem sabe descubra um futuro Sorin, ou um Valdívia ou um novo Maldonado.

É mais que urgente uma mudança nas leis do futebol obrigando jogadores a permanecerem no país pelo menos até os 21 anos além de limitar a ação dos empresários.

Caso contrário é melhor irmos aprendendo a cantar em espanhol pois nossos times poderão não entender os cantos vindos da arquibancada.

“Saludos” 🙂

Marcão TFC (perfil completo)

marcão@torcidafanaticruz.com.br

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Colunas do BC – Fanático da Arquibancada

19 março, 2008

Mineirão: ex-Estádio de Futebol

Marcão TFC

“É inaceitável que o futebol seja colocado em segundo plano para realização de um evento de música axé no gramado do estádio!”

Erguido em 1963 o gigante da Pampulha foi palco de grandes e memoráveis espetáculos. Com capacidade inicial de 130.000 pessoas, tornou-se o segundo maior estádio do país atrás apenas do Maracanã.

O projeto de construção do Mineirão antecede em mais de 25 anos a sua data real de inauguração quando na década de 1940 pretendia-se erguer em BH um estádio com grande capacidade já que os três maiores clubes da capital possuíam seus próprios estádios mas estes sem estrutura para receber a crescente demanda de torcedores. Todos com capacidade máxima de 10.000 pessoas.

No fim dos anos de 1940 com Belo Horizonte sendo confirmada uma das sedes da Copa do Mundo de 1950, a cidade se viu obrigada a construir um estádio maior e que comportasse um evento do porte de uma Copa. O modesto clube Sete de Setembro ficou encarregado de comandar as obras do novo campo. Nascia assim o estádio Independência, que apesar dos receios quanto a sua conclusão a tempo da Copa do Mundo acabou sendo entregue em tempo para a partida entre Iugoslávia e Suíca em 25 de junho de 1950 com a prefeitura de Belo Horizonte tendo assumido a frente do projeto .

No início da década de 1950 inicia-se em BH um processo para construção de um estádio ainda maior, a principio um projeto para um estádio universitário nas imediações do campus da Universidade Federal na Pampulha.

Surgiram outras propostas, inclusive para construção do estádio no terreno que hoje é o BH Shopping mas em 1959 o governador Bias Fortes assinou a lei para criação do Mineirão aumentando e muito o projeto inicial para 100.000 torcedores.

Neste mesmo ano começaram as obras, em terreno cedido pela Universidade Federal que via na construção do estádio eficiente medida para ocupação da ainda deserta região da Pampulha.

A construção do Mineirão foi um marco para a engenharia nacional, com inúmeros avanços em sua construção. Seus engenheiros fizeram uma grande análise do Maracanã localizando deficiências a não serem repetidas no projeto. Foram inclusive ao Japão que acabara de erguer arenas olímpicas de onde vieram muitas das inovações de sua construção

Com trabalhos em três turnos, 24 horas de construção, mais de 5000 pessoas envolvidas no projeto o gigante da Pampulha foi finalmente erguido com sua estréia em 5 de setembro de 1965 com uma partida amistosa entre Seleção Mineira e o River Plate da Argentina.

Desde então o Mineirão foi palco de memoráveis momentos, sem nenhum fanatismo, todos eles do Cruzeiro já que não existe sequer um registro de uma grande conquista das cocotas no estádio.

Na história recente é fácil lembrar de duas Super Copas em 1991 e 1992, Libertadores de 1997, Copa do Brasil e Brasileiro de 2003 que junto com o Mineiro 2003 deram a Tríplice Coroa ao Cruzeiro.

Fora das quatro linhas, também foi palco de outros momentos dignos de estarem imortalizados na história do estádio como a quebra do recorde de publico na final do Mineiro de 1997 quando o Cruzeiro levou 132.834 torcedores ao estádio para assistirem a mais uma conquista celeste.

Em 1992, a torcida Cruzeirense proporcionou a maior média de público pagante em todas as competições do futebol mundial até hoje. Nunca uma torcida manteve uma regularidade tão grande em todas as partidas de sua equipe em uma competição. Na campanha da Supercopa daquele ano, os cruzeirenses estabeleceram uma média de 73 mil pagantes nas partidas realizadas em Belo Horizonte. Empurraram o time para o título de bi-campeão da Supercopa lotando o Mineirão em todos os jogos. Uma marca mundial.

Qual a razão de trazer esse pedaço da história do nosso estádio?

Qual a razão de trazer alguns episódios memoráveis da história do estádio que se fundem com a história do Cruzeiro?

Por quê toda a luta de 5 mil operários, todo empenho de políticos e governantes para que Belo Horizonte tivesse um grande palco para o espetáculo único e exclusivamente do futebol está sendo desrespeitada?

É inaceitável que o futebol seja colocado em segundo plano para realização de um evento de música axé no gramado do estádio!

Para agravar a situação e deixar perplexos qualquer amante do futebol, no ano em que o Cruzeiro está participando da Copa Libertadores, maior competição do continente o time se vê obrigado a mudar a praça do jogo para Ipatinga pois o nosso lendário Mineirão estará sendo preparado para o show de tosco-music.

E não pensem que minha rixa é apenas devido a ser um show de músicas débeis-rebolativas. Estive dia 2 de março no Parque Antártica em São Paulo para o show do Iron Maiden e comentei sobre a cobertura que usaram sobre a grama. Uma manta emborrachada, você percebia que era uma coisa tecnológica e até pensei que aquilo realmente iria amortecer o impacto sobre o gramado e permitir seu uso para o futebol na logo na sequência. Mas na semana passada Wanderley Luxemburgo reclamou na imprensa do estado do gramado após o show, pois a grama foi compactada de tal maneira que acabou com a drenagem do campo.

Agora, além do prejuízo de jogar sem o apoio de grande parte da torcida, o Cruzeiro corre o risco de nos jogos seguintes enfrentar um gramado danificado, e que pode levar a sérias lesões nos jogadores.

Belo horizonte tem dezenas de outras área, o próprio estádio do Independência foi palco de vários shows como este, agora , por quê o Mineirão? Temos o Mega Space, temos o Expominas. O tal do “Espaço Folia” no bairro Olhos D’água não foi criado para reunião dos seres que querem ficar rebolando e requebrando? MAS POR QUE O MINEIRÃO?

MINEIRÃO É ESTÁDIO DE FUTEBOL! E PONTO FINAL!

Se você assim como eu está revoltado, deixe o seu comentário. Vamos reunir todos eles e entregá-los na ADEMG, Federação Mineira de Futebol e no próprio Cruzeiro.!

Marcão TFC (perfil completo)

marcão@torcidafanaticruz.com.br

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Colunas do BC – Fanático da Arquibancada

3 março, 2008

Adilson Batista: de Xerifão a Xerifão

Marcão TFC

“O time hoje tem raça e vontade estampadas em cada jogador. Parece que Adilson está conseguindo passar sua raça como jogador para cada peça que entra no time do Cruzeiro.”

Confesso que quando foi anunciada a contratação de Adilson Batista como novo comandante do Cruzeiro eu como boa parte da torcida cruzeirense ficou com um pé atrás pois apesar do passado vitorioso e da completa identificação com o torcedor cinco estrelas , Adilson ainda não havia colocado seu nome no hall dos grandes técnicos do futebol brasileiro.

Acho que este gaúcho tem tanta identificação com o Cruzeiro, que adotou o bom e velho jeito mineiro de ser, e pouco a pouco, jogo a jogo, está provando a que veio.

Antes mesmo de ser anunciado como técnico já surpreendeu pois não tocou no assunto dinheiro e falou “Quanto vocês querem me pagar como treinador?”. Em tempos de futebol mercenário e cada vez mais capitalista, escutar um profissional fazer uma proposta destas…

Encaro isso como auto-confiança e certeza na sua própria capacidade e no que pode alcançar no comando do Cruzeiro, ou seja, quer trabalhar, mostrar a que veio e esta é a preocupação dele.

Durante o evento de inauguração do Bar do Cruzeiro em dezembro passado, Adilson esteve na mesa da Fanáti-Cruz e conversou conosco. Eu fui sincero e falei “Adilson, como jogador você é um eterno ídolo e jamais contestaremos, como treinador ainda não podemos dizer mas te apoiamos totalmente”. Ele agradeceu e com toda sua humildade disse que iria trabalhar muito.

E ele está realmente trabalhando. O Cruzeiro estreou arrasador no Mineiro e na Libertadores atropelando 6 adversários seguidos chegando próximo ao desempenho da saudosa equipe de 2003 que venceu as 7 primeiras partidas que disputou.

Tive o prazer de estar no Paraguai para o segundo jogo contra o Cerro Portenho em Assunção e voltamos no mesmo vôo da delegação. Foram 2 horas na sala de embarque devido ao atraso da companhia aérea e batemos um longo papo com Adilson.

Mais uma vez este gaúcho nos surpreendeu. Papo informal, como se todos fossem velhos amigos, logo uma rodinha se formou junto dele. Alguns sentados no chão, outros ao redor e o papo fluiu e nosso comandante impressionou com sua capacidade, a compreensão que detém do futebol e o quanto ele entende o time , esquemas de jogo e até dos adversários. Saímos dali com a certeza de que realmente temos um comandante a altura do Cruzeiro.

Principalmente porque ele está tendo pulso para manter as rédeas de um time jovem e com média de idade tão baixa.

Mudou o regime de concentrações, colocou os solteiros 1 dia antes dos casados trancados longe da farra e cobra postura, raça e determinação dentro de campo.

O reflexo está visível. O time hoje tem raça e vontade estampadas em cada jogador. Parece que Adilson está conseguindo passar sua raça como jogador para cada peça que entra no time do Cruzeiro. O Cruzeiro dos últimos anos foi sempre apático, sonolento, com alguns jogos de lucidez e vários outros de total marasmo. Foi aí que pecou seu antecessor Dorival Júnior, que apesar de ser um bom treinador perdeu o pulso do time.

E o Xerifão Adilson, zagueiro incansável na década de 90 continua o mesmo líder, exigindo a mesma raça que ele sempre demonstrou em campo. Barrou Léo Silva no treinamento da semana após o jogador errar 3 passes seguidos. Adilson não titubeou, colocou o jogador para fora do treinamento e perguntou se ele estava com preguiça de jogar.

Boa Xerifão! Você tem nosso total apoio e confiança. Continue com pulso firme , mostrando ao time o caminho das vitórias e exigindo deles a raça que é pertinente ao manto azul estrelado.

Vamos Vamos Cruzeiro!!

* Em tempo, agradecimentos ao Benny, o italiano mais Cruzeirense do mundo que me convidou para ser colunista do Blog do Cruzeirense. Com justiça, o trabalho dele merece todos os elogios pois é reconhecidamente o melhor site do Cruzeiro hoje e ser o primeiro colunista do site é motivo de muita satisfação.

Convido a todos para estarem junto a TFC – Torcida Fanáti-Cruz na próxima terça contra o Caracas na Toca 3. Me procurem lá, será um prazer recebê-los!

Marcão TFC (perfil completo)

marcão@torcidafanaticruz.com.br